Na última segunda-feira, o feminicídio deixou de ser uma palavra dura nos noticiários e passou a ter nome, rosto e lembranças muito pessoais para mim.
Perdi uma amiga que atravessamos a adolescência dividimos risadas, amizades e aquela fase da vida que marca para sempre quem fomos e quem nos tornamos.
Receber essa notícia foi paralisante.
Ainda estou em choque. Porque quando é alguém próximo, a violência não parece distante — ela invade a memória, a rotina e o coração.
Ela deixa três filhos.
Três vidas que seguirão carregando uma ausência profunda, uma saudade que não escolheu existir. E deixa também uma pergunta que ecoa em todas nós: até quando?
Feminicídio não é um caso isolado.
Não é um “crime passional”.
Não é uma tragédia imprevisível.
É o resultado de uma cultura que normaliza o controle, o medo, o silenciamento e a violência contra mulheres. Muitas vezes começa de forma sutil: palavras que ferem, comportamentos que controlam, ciúmes que se disfarçam de cuidado, isolamento de amigos e familiares. Sinais que, infelizmente, ainda são minimizados.
Este texto é um luto, mas também é um alerta.
Se você é mulher, por favor, não ignore sinais de violência.
Não romantize comportamentos abusivos.
Não aceite o medo como parte de um relacionamento.
Não caminhe sozinha — fale, peça ajuda, confie em alguém.
E se você conhece uma mulher em situação de risco, não se cale.
Ouvir, acolher e orientar pode salvar uma vida.
Precisamos falar sobre feminicídio não apenas quando a morte acontece, mas enquanto ainda há tempo de proteger, acolher e interromper ciclos de violência.
Escrevo com dor, com saudade e com indignação.
Que a memória dela — e de tantas outras — não seja reduzida a números.
Que suas histórias se tornem um grito por consciência, empatia e mudança.
Por ela.
Pelos filhos que ficaram.
Por todas nós.
Canais de denúncia e apoio (Brasil)
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, procure ajuda:
- Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
Funciona 24h, gratuito, sigiloso. Orienta, registra denúncias e encaminha para a rede de apoio local. - 190 – Polícia Militar
Em situações de risco imediato. - Delegacia da Mulher (DEAM)
Atendimento especializado para mulheres vítimas de violência. - Disque 100
Para violações de direitos humanos.
Você não está sozinha.
Pedir ajuda é um ato de coragem.